Diego Aganetti entrevista Adriano Yedo, sócio da JOY PARTY BRASIL

Confira a entrevista exclusiva com Adriano Yedo, um dos criadores do selo JOY PARTY BRASIL, que em cinco anos já é considerado um dos maiores selos brasileiros da cena LGBTQIA+.

Eles já fizeram grandes eventos em muitas capitais brasileiras, e em algumas cidades pelo mundo afora, além de terem criado um super festival, no pós-carnaval, que esgotaram todos os ingressos antes do primeiro dia de festa, na edição de 2020. UM VERDADEIRO SUCESSO!!

Conversamos com o empresário e produtor de eventos Adriano Yedo, que é um dos sócios do selo JOY PARTY BRASIL, e que produz eventos corporativos, sociais, e festas de música eletrônica, como a JOY e o seu novo selo RIO.

Os sócios: Edu Vicentini, Eudes Freire e Adriano Yedo no coquetel de lançamento do Festival de Búzios.

Pensamos que assim como estamos lutando pelo espaço dos gays na sociedade, as mulheres também estão lutando pelo delas então podemos somar forças!“, diz Adriano Yedo – sócio da JOY.

Agora! Como tudo isso começou? Como foi que chegaram a fazer vários eventos fora do país em tão pouco tempo? E o FESTIVAL de pós-carnaval em Búzios, quais são as dificuldades de se fazer um festival tão grandioso como esse?

Confira as respostas destas e de outras perguntas feitas ao querido Adriano Yedo.

A cada ano que passa a JOY toma uma proporção muito maior. Neste ano vocês completam 5 anos. Conte pra gente como tudo isso começou!?

A Joy começou na minha casa. Eu e Edu Vicentini sempre fazíamos festas para amigos lá, e isso passou a se tornar um negócio a partir de uma festa de aniversário que fizemos pro Edu, que foram mais de 400 pessoas.
Passamos então a produzir lá, algumas festas abertas ao público, com cobrança de bilheteria. Até que numa conversa com nosso então amigo Eudes, decidimos criar um selo para Pool Party e, então, criamos a JOY POOL PARTY.
A primeira festa lá em casa já foram 600 pessoas, foi incrível, mas com zero estrutura, a segunda já foram mais de 1000 pessoas e minha casa parecia que iria cair! Foi mega divertido e a partir daí abrimos uma empresa juntos só pra produzir a JOY.

O selo tem três sócios, contando com você. Fale um pouco sobre essa grande parceria.

Somos 3 socios: Eu, Edu Vicentini e Eudes Freire.
Eu e Edu já tínhamos uma relação de muitos anos e já éramos sócios num restaurante em Copacabana.
O Eudes, nós conhecemos frequentando as festas que produzíamos lá em casa, ele ia em todas, e logo viramos amigos e posteriormente, sócios também.

Aniversário de 4 anos da Joy, no estádio do Mineirão, com a residente Anne Louise.

A JOY já rodou algumas cidades pelo mundo a fora. Deve ser uma experiência incrível para vocês! Fale um pouquinho sobre como isso começou, e também quais as principais dificuldades de se levar um evento, com as mesmas características, para outros países?

É muito incrível perceber um produto seu sendo reconhecido internacionalmente! Mas foram muitas portas fechadas num primeiro momento, até conseguirmos galgar pra onde estamos hoje.
Como a gente tinha montado um festival de pós-carnaval, precisávamos que o mundo soubesse disso, para que todos aqueles gringos, que vem sempre para o Brasil, pudessem estender suas passagens para só irem embora depois do nosso festival de pós-carnaval.
Então comecei a entrar em contato com todos os produtores de festas internacionais e fui ligando de um por um me apresentando e tentando fazer parcerias.
No início foi bem difícil, mas agora somos muito mais que parceiros, sou amigo de todos os meus parceiros internacionais. A maior dificuldade eh justamente esse primeiro contato, porque geralmente precisamos de um parceiro local para produzirmos juntos. Muitas vezes eu entrava em contato, e o produtor sequer me respondia direito, eu me informava quando era a próxima festa dele, pegava um voo e me apresentava pessoalmente! Hahaha… depois do susto, sempre ficava amigo do produtor do país e saia de lá com uma data pra JOY.
Quanto a manter as características da festa em países com outra cultura, isso acontece muito ainda, por exemplo, uma das marcas registradas da JOY, é ser uma festa onde o público pode subir no palco, dançar ao lado do DJ, e isso cria uma vibe incrível onde todos se sentem um pouco donos da festa, se sentem em casa. E muitos produtores não concordavam em fazer isso e tínhamos sempre que bater o pé!! rsrs…

Há dois anos vocês criaram o FESTIVAL JOY POS-CARNAVAL em Búzios (Rio de Janeiro), que já é um grande sucesso! Fale sobre a ideia de se criar este grande projeto, e como foram as três últimas edições?

Esse foi nosso projeto mais ousado! Todos nos chamavam de loucos quando falamos que iríamos criar um festival após o carnaval, com 3 diárias em um resort de luxo, com regime de pensão completa, 7 festas, show da Anitta (que participou da primeira edição) e mais de 30 DJs, sendo 5 internacionais.
Por ser um período de ressaca de festas, onde todos estão descapitalizados e cansados, muitos não acreditaram no projeto, porém nada nos tirava da cabeça que o pós carnaval seria o momento ideal para reunir “circuiteiros” de eventos de todo o mundo em dias inesquecíveis de festas, amigos, praia, piscina e descontração total. As edições estão melhores a cada ano. Pra esta edição que passou, tiramos a atração musical POP e transformamos o festival em 100% eletrônico.
A novidade para o próximo ano é fazer o primeiro festival 100% open bar, que dessa forma, as pessoas irão curtir todos os dias sem nenhuma preocupação, podendo se divertir muito mais.

JOY na Irlanda, na tour com Dri Toscano.

Fiz uma tour ano passado com a Dri Toscano pela Europa e todos os lugares que ela tocava, era só elogios, a vibe foi incrível em todos os países que produzimos.” Adriano Yedo.

A JOY tem uma relação diferente com as meninas que tocam na cena LGBTQIA+. Fale um pouco sobre o que vocês pensam sobre o papel das mulheres dentro da cena?

Nós acreditamos muito na pluralidade da cena, e achamos extremamente retrógrado aquele pensamento de que somos festa de homem, com DJ’s homens, ou que somos para o público gay e que heteros deveriam pagar mais caro…. isso aqui não existe! Pensamos que assim como estamos lutando pelo espaço dos gays na sociedade, as mulheres também estão lutando pelo delas então podemos somar forças! Há muitas meninas que estão fazendo um papel incrível na cena e merecem todo o destaque do mundo! As DJanes mais frequentes nas nossas cabines são Anne Louise, Nat Valverde, Laurize, Marcinha Eggers, Dri Toscano, Mara Borges, Má Rodrigues e Karol Figueiredo. Também não podemos deixar de lembrar de nossas amigas cantantes que estão fazendo um belo trabalho: Amannda, Nikki e Lorena!

Sabendo que boa parte das festa da cena LGBTQIA+ têm o line up com maioria masculina ou, em alguns casos, sempre 100% masculino, Vocês acreditam que possa haver um aumento de DJanes nos line nos próximos anos? E a visão de alguns contratantes, de que os gays preferem ver homens tocando, o que vocês pensam sobre isso?

Nós tentamos sempre acreditar que existem muito mais DJs homens que mulheres na cena do tribal por conta de ser uma cena onde o público por sua vez é mais masculino que feminino. Tentamos sempre acreditar que não é por qualquer tipo de preconceito uma vez que nosso papel é lutar contra o mesmo.
Quanto a essa questão de que o público tem preferência por uma imagem masculina nas cabines, também não concordo com isso. Fora do Brasil temos um pouco de resistência de alguns produtores, mas depois que eles conhecem o trabalho, percebem que elas arrasam. Fiz uma tour ano passado com a Dri Toscano pela Europa e todos os lugares que ela tocava, era só elogios, a vibe foi incrível em todos os países que produzimos. Eu acredito que o público gosta de DJ’s que interajam, que tragam novidades, que tentem sair do obvio e entregar sempre um produto diferenciado.

Não poderíamos ignorar todo este momento que estamos vivendo em função da pandemia do Covid-19 (Corona Vírus). O que vocês estão fazendo para driblar da melhor forma possível, toda esta triste situação, que afeta vocês e as pessoas que trabalham para vocês, incluindo os DJs?

Estamos com tudo realmente parado! Estamos neste momento pensando em como minimizar os efeitos desta pandemia nos nossos clientes, nossos DJs e nossos colaboradores.
Bom, esse é um assunto muito delicado, que estamos nos esforçando pra levar da maneira mais leve e humana possível.
Em primeiro lugar, cancelamos os eventos dos próximos meses no Brasil e fora. De cara, já perdemos a JOY Curitiba e a Tour que passaria por Portugal, Espanha, Dublin, França e Inglaterra.
Para os clientes que já haviam comprado nosso Festival de Pós Carnaval do ano que vem, via boletos bancários, decidimos não efetuar a cobrança do mês de abril, pois e entendemos que muitos estão perdendo trabalhos e consequentemente, renda, e assim adiamos o final do pagamento para 1 mês depois.
Para os nossos DJ’s e colaboradores, que são a peça mais fundamental do nosso sucesso, adiantamos os caches de todos que irão trabalhar no nosso
próximo evento, que esta previsto pra Julho, que será o aniversário de 5 anos da JOY.

Diego Aganetti, mineiro, vivendo em São Paulo, que chegou nos seus 30 anos de idade e teve diversas experiências nos grandes eventos da cena LGBTQIA+. Atualmente voltou para o mercado de produção de eventos, com sua nova marca SIGN.