Nat Valverde celebra 3 anos de carreira e relembra sua trajetória

Com três anos de carreira, Nat Valverde vem se destacando na cena LGBTQIA+ como DJ e produtora, mas também com grandes performances em suas apresentações. Atualmente, ela representa o principal selo da cena, a The Week Brazil, levando sempre um verdadeiro show para o público por onde ela passa.

As vésperas de se completar 30 anos de idade, essa boneca (um de seus apelidos dentro da cena) já se apresentou nos principais clubes do Brasil e em países como Austrália, Colômbia, França, entre muitos outros. Além de já ter tocado em festas internacionalmente reconhecidas, como Circuit, de Barcelona e o selo Xlsior, em MYKONOS que também estão na sua lista. No meio corporativo, seu currículo traz nomes de peso, como eventos de marcas como Natura, Mary Kay e Chanel.

A DJane Mag Brasil conversou com exclusividade com a DJane através de um bate-papo descontraído. Confira abaixo a entrevista exclusiva.

Nos conte um pouco de como surgiu a ideia de se tornar uma DJ profissional? E porquê de escolher a cena LGBTQIA+?

Eu sempre fui muito apaixonada por música eletrônica. Sempre gostei, sempre frequentei festas… na verdade frequento desde os meus 18 anos. Então vão fazer 13 anos que eu frequento muito, as festas LGBTs. Eu sempre prestava muita atenção no DJ e ia atrás das versões que eles tocavam. Então quando eu gostava de alguma música, eu ia lá e pesquisava. Eu pesquisei muita música eletrônica a minha vida inteira. Só que eu trabalhava com comércio exterior. Nunca passou pela minha cabeça ser uma DJ. Eu sempre olhei. Sempre achei incrível, mas não passava isso pela minha cabeça. Eu achava muito distante isso, né. E aí os meus amigos sempre me incentivaram. Falavam que por eu gostar muito eu poderia fazer um curso. E eu sempre fui muito extrovertida! Chamava muita atenção pelo meu jeito. As pessoas sempre falavam que eu deveria fazer algo para trabalhar com público por conta do meu carisma. E a pessoa que que mais me incentivou, por incrível que pareça, é hoje a pessoa que trabalha comigo, que é o meu produtor. Ele sempre falava pra eu fazer o curso, porque eu tinha muito a ver com isso, e aí eu fui fazer o curso por hobby mesmo. Na verdade muitos começam assim, né?! E fui fazer o curso na DJ Ban, e me apaixonei. Fiquei encantada! Depois que eu aprendi foi tudo muito rápido, porque eu já tinha muita pesquisa, que é a parte mais difícil. Eu acredito que seja muito mais difícil você ter o material do que você saber tocar. Por isso foi mais fácil pra mim. Quando eu aprendi, eu peguei mais amor ainda! E aí aconteceu tudo muito rápido! Eu nunca imaginei que isso fosse acontecer tão rápido! Terminei de aprender a tocar, quando eu vi, já estava tocando no maior clube do Brasil, na cena LGBT, na The Week.

Nat Valverde e bailarinos durante apresentação da tour “Cheerleaders‘. Foto reprodução internet.

E’m pouco tempo de carreira, você já se via dentro do maior selo LGBTQIA+ do Brasil. O que você pode nos falar sobre essa conquista, e sobre a The Week também?

Foi tudo muito rápido mesmo! Mas eu acredito que tudo tem um significado. Eu acho que quando você nasce para aquilo, quando você faz aquilo com amor, com determinação, tudo flui naturalmente. Eu acho que acontece assim! Pelo menos na minha vida é assim. E eu agarrei isso com unhas e dentes! Eu me dedico todos os dias! Eu vou atrás! Eu tento fazer sempre o melhor! Todas as apresentações, eu procuro trazer alguma novidade. Eu procuro fazer mesmo o meu melhor, e acho que isso acaba tendo consequência no trabalho. E é claro que eu me assustei no começo por eu não ter tanta experiência. E as coisas já iam acontecendo com tanta velocidade. Então o que eu fiz para que eu não tivesse medo e para encarar tudo isso? Eu dobrei o meu trabalho para ter mais experiência, mais rápido possível, para que eu conseguisse atender as expectativas das festas importantes que eu estava tocando. Então, com um ano de carreira eu toquei no maior festival de Barcelona. Toquei nas nas maiores festas. Imagina!? Com um ano de carreira, pegar públicos com nove mil pessoas!? Eh bem desafiador, mas eu fiz assim! Fiz o meu melhor, para que eu pudesse atender mesmo a expectativa e a oportunidade de estar ali.

Nat Valverde e bailarinos em apresentação da tour “Neon‘. Foto reprodução internet.

Podemos perceber que você gosta de se inovar e dar um verdadeiro show em suas performances, sendo uma artista bem completa. Como funciona tudo isso

Isso é uma coisa que já estava em mim! Eu sou desse jeito! Eu já fazia essas coisas antes de ser DJ, então eu sempre gostei de fazer isso. Qualquer festa que a gente tivesse algum destaque, eu sempre inventava alguma coisa pra fazer. Alguma forma de fazer uma performance, então este é meu jeito de ser. E eu acredito que se eu não trouxesse essas performances mas minhas apresentações, eu não seria completamente feliz no meu trabalho. Então eu faço porque realmente me completa! O processo criativo… ele vem! É muito engraçado que eu trabalho com o Thiago Bellonzi. E é ele que me ajuda! Me ajuda na questão do processo criativo mesmo! Mas a ideia meio que surge… Então, por exemplo, uma nova apresentação, a ideia vem de repente, e aí eu trabalho ela com o Thiago. “Olha! Eu tô com vontade de fazer esse tema!” Algo que me representa. Eu nunca faço nada que não tenha a ver com a minha personalidade, com meu jeito… A gente gosta de realmente criar uma imagem, um conceito, então é tudo muito bem pensado e aí nós desenhamos. Nós fazemos todo o processo, desde vídeo, figurino, o que que isso vai impactar para as pessoas, porque a gente gosta de acrescentar algo na minha apresentação como DJ, não de cortar a apresentação e fazer algo que vai quebrar a noite. Então a gente se preocupa muito com isso! Nós fazemos algo que vai evoluir a noite, e não quebrar a apresentação pra colocar esse show no meio e às vezes acabar caindo a energia. Então a gente sempre tenta fazer algo pra que a energia aumente!Eu fico muito muito feliz de ter realmente contribuído com a inovação da cena, com essas performances. E eu fico feliz de ver que que a cena tá evoluindo. Que mais DJs estão indo atrás disso, que eles estão se preocupando mais com com a parte visual, com vídeo e com as performances. Eu realmente fico muito feliz com isso, porque eu acho que a nossa cena é tão grande! Tão rica! As pessoas, principalmente da nossa cena, gostam de se expressar, gostam de ver o artista se expressando. Então eu acho que as pessoas só têm a ganhar quando o artista se preocupa com essa parte visual, com essa parte de se expressar. E eu estou completamente feliz de ver que tudo isso mudou. E não é que eu tenha sido a primeira não, não é isso, mas eu acho que eu fui mais abusada, e eu fiz o que eu queria fazer. Eu acho legal ver um DJ saindo da cabine pra fazer uma performance, dançar com figurino, com tudo interligado. Não é comum! E eu poderia ter feito isso e ter uma resposta ruim. Então eu coloquei a minha cara a tapa e fiz o melhor que eu poderia fazer, e foi feito de coração! E graças a Deus eu acho que deu certo, e eu vou continuar fazendo porque é o que eu acredito, é o que eu tenho no meu coração e que eu tenho vontade de fazer.

Neste três anos de carreira, você já se apresentou em grandes gigs na Europa, Austrália, e em outros países da America Latina. Como tem se comportado a cena fora do Brasil?

A primeira vez que a gente sabe que vai tocar fora do país é sempre um mistério! Eu fiquei bem preocupada, bem nervosa, porque a gente não sabe como é né!? Então tudo que é novo assusta! Mas quando eu cheguei e vi que as pessoas queriam ver a mesma alegria e a mesma energia do Brasil, eu fiquei mais tranquila, mais confiante, porque realmente eu acho que os DJs brasileiros estão ganhando um espaço muito grande lá fora. As pessoas esperam pelos DJs brasileiros. Eu acredito que seja pela nossa energia, pela nossa alegria, que realmente é diferente, é mais pra cima e eu acho que é o que a maioria das pessoas estão buscando hoje. Eu acho que hoje as pessoas estão saindo pra realmente se divertir, pra ouvir músicas que vão fazer elas esquecerem dos problemas. E deixarem de lado um pouco, a semana que foi estressante, que é complicado, e elas querem ir pra pra sentir emoção e pra se divertir. E eu acho que nós brasileiros conseguimos trazer muito isso no nosso som. Então, quando eu percebi que queriam isso, foi realmente o que eu entreguei em todas as minhas apresentações lá fora. E pra ser bem sincera, eu não mudei, não mudei minha característica. É claro você acaba fazendo um som pouco diferente, porque realmente são culturas diferentes, mas assim, o principal, no todo, eu não mudei. Eu fiz o que eu realmente faço aqui e eu percebi, em todas as apresentações, que as pessoas, em qualquer lugar do mundo, elas querem isso. Então, se você vai com com o seu propósito, com a sua identidade, eu acho que dá mais certo do que você ficar buscando o que acontece nos outros países. Fazer a mesma coisa que acontece lá, acaba que fica meio sem sentido. Essas pessoas contrataram você pra você fazer o seu estilo de som. Eu acho que se você mudar muito acaba perdendo um pouco um do intuito da questão.

Nat Valverde durante a gravação do videoclipeDolls‘. Foto reprodução internet.

E em quais países e festas você tem o sonho de se apresentar?

Existem várias festas que eu ainda não toquei. Tem um festival em Bangkok que é gigantesco, e que é meu sonho. Pois eles fazem um festival enorme, com produções grandiosas, com palco lindo, tão eu. Acho que um dos meus sonhos é fazer uma apresentação, do jeito que eu gosto, naquele palco gigantesco. Um outro sonho, que acho que talvez as pessoas achem até que eu sou maluca, mas eu gosto de sonhar alto, e eu sonho, acredite! Eu tenho certeza que vai acontecer! Talvez seja por isso que as coisas acontecem na minha vida, porque eu não tenho medo de sonhar. Eu tenho um sonho, que seria de ver o crescimento de nossa cena, num ponto que não exista essa questão de divisão, de cena hetero para cena gay. Tipo, o DJ da cena gay não pode tocar na hetero, e da hetero, não pode tocar na cena gay. Eu gostaria muito que um dia isso acabasse! E o meu maior sonho é tocar no Tomorrowland! Ver todo mundo, todas as cenas juntos, porque todo mundo sai pra pra ouvir música, pra sentir a energia da música, e acho que isso um dia pode acabar, e quando este preconceito acabar, eu estarei lá no palco do Tomorrowland. Eu tenho a esperança que isso um dia acabe e eu vou estar lá naquele palco, representando todos os gays e todos estaremos juntos!

Você produziu recentemente o grande hit “Dolls“, que deu o nome de sua última tour. Conte pra gente um pouco sobre a Nat Valverde produtora.

Na verdade, foi muito recente essa minha vontade de começar a produzir. Que por eu ter essa identidade muito forte, eu sempre vinha sentindo necessidade de colocar a minha identidade no set. Então é complicado, quando você tem muita personalidade, você tocar só música dos outros. Eu senti essa necessidade. Aprender por isso mesmo, e aí já fui atrás do curso. Já aprendi muito! Uma das pessoas que mais me ajuda é o DJ Leanh. Ele me ensinou muito, e é por conta disso que eu não poderia deixar de fazer a minha música com ele, porque nós temos uma afinidade muito grande, e eu admiro muito o trabalho dele e a gente tem uma sintonia muito forte. Então eu fiz a “Dolls”, com ele e a Nikki, que também é uma pessoa incrível, e temos muita sintonia também. Nós nos parecemos muito, em vários sentidos. É até meio louco o quanto que a gente se parece fisicamente e também em algumas coisas de sentimento, de atitude e de personalidade. A gente é muito parecida, e aí então foi uma junção que deu muito certo. Sobre a “Dolls”, foi uma ideia que eu tive porque eu gostaria muito de fazer algo nesse tema. Primeiro porque eu gosto do tema, e outra porque eu gostaria de fazer uma transição do lúdico que a gente tinha feito. Então, a gente já queria passar essa fase lúdica/infantil pra uma fase, um pouco mais adulta. E a “Dolls” foi a transição disso. Ela é uma coisa mais sensual, mais adulta. A gente vê que foi uma transição porque hoje eu estou numa fase nova. Acho que por amadurecimento, por criar mais e por ter mais confiança. Então naturalmente, eu estou em uma outra fase, uma fase de transição. Quando eu dei a ideia, eles amaram, e a gente criou a música. É claro que a gente faz a música esperando que seja um sucesso, mas eu não imaginava que viraria assim, que teria tanta repercussão como teve, graças a Deus! Estou muito feliz por isso, e muito surpresa também, é claro.

Eu acho que todos os temas que a gente cria estão bem relacionados a o que eu realmente sou, ao que as pessoas realmente enxergam em mim. E e a “Dolls” é exatamente isso! É como as pessoas me enxergam. Me chamaram de fada, de boneca… e essa questão delas me enxergarem assim, resolvemos levar para o palco. Então isso com certeza contribuiu sim!

Sabemos que você gosta de se reinventar e fazer a diferença sempre! Estamos em um período em que todos nós temos a obrigação de ficarmos em casa por conta da Covid-19, e todos os profissionais da área musical estão exercitando suas criatividades para poder continuar a levar o seus trabalhos para seus fãs, pois o show não pode parar! Diante disso, o que podemos esperar de Nat Valverde nas próximas semanas?

Realmente é uma fase que ninguém esperava. É muito difícil ser pega de surpresa assim! A gente tá tendo que se reinventar, porque a gente já estava com vários trabalhos engatilhados. Já tava pra lançar novas coisas e tivemos que parar. Então foi um balde de água fria, porque a gente já estava com um ano inteiro planejado, com várias apresentações, mas não podemos ficar sentados chorando. Recentemente nós fizemos uma live em casa, né!? Na verdade, eu tenho uma academia, e aí eu aproveitei o espaço da sala de spinning, e a gente colocou um jogo de luzes, deixando bem a cara de festa, de balada, de pista… Isso foi eu, meu marido e o Thiago. Então foram três pessoas que transformaram tudo aquilo em um show. E aí a ideia que a gente teve foi “trazer os dançarinos”. A gente pegou cada um de suas casas: a Débora, o André e o Breno, que são hoje os maiores dançarinos da nossa cena, e cada um fez o show da sua casa, e a gente transmitiu isso ao vivo. Então a gente conseguiu ter uma ideia bacana pra não perder essa questão do show que a gente gosta de fazer, das apresentações com arte, com dança… e a gente conseguiu trazer um pouco do que a gente costuma fazer ao vivo. A entrada foi uma entrada com vídeo, com intro que eu preparei especialmente pra este dia, mesmo tocando em casa. Eu fiz uma intro que tem tudo a ver com o momento, sobre salvarmos o mundo.

Trouxemos tudo isso, pra que mesmo de casa, as pessoas tenham a qualidade que a gente busca trazer em nossas apresentações. A gente tentou fazer o show, mesmo com cada um em suas casas, e a gente já está preparando a próxima, que será no dia 15/5, às 22:30, no meu canal do Youtube! RE CONSTRUCTION será um SET VÍDEO SHOW para comemorar o meu aniversário! Eu adotei esta filosofia para este momento difícil que estamos vivendo e quero traduzir em imagens e som nesta apresentação que estamos produzindo com todos os cuidados necessários! Conto com todos vocês, de casa e seguros, para curtirmos meu aniversário comigo, neste dia especial!

Nat Valverde. Foto divulgação.

Confira abaixo o videoclipe do novo sucesso de Nat Valverde.

Diego Aganetti, mineiro, vivendo em São Paulo, que chegou nos seus 30 anos de idade e teve diversas experiências nos grandes eventos da cena LGBTQIA+. Atualmente voltou para o mercado de produção de eventos, com sua nova marca SIGN.