RIO AQUELE ABRAÇO, conheça o projeto criado entre amigos e produtores da cena LGBTQIA+ que leva ajuda à famílias de comunidades carentes do Rio de Janeiro

Batemos um papo com Adriano Yedo e com o DJ e também produtor da JOY, Edu Vicentini, falando sobre este projeto que tem ajudado muitas famílias carentes do Rio de Janeiro, em união com ONGs que que já atuam na cidade carioca.

O projeto Rio Aquele Abraço surgiu de um bate-papo entre eu, Maurício Canazaro, Erik e Edu Vicentini, que falávamos da necessidade de se fazer alguma coisa que ajudaria um número grande de famílias carentes de comunidades do Rio de Janeiro“, assim conta Adriano Yedo, produtor da JOY PARTY e da RIO BRAZILIAN PARTY.

O projeto teve apoio de vários artistas, DJs da cena LGBTQIA+ e personalidades, como: Monique Alfradique, Leandro Hassum, Ricardo Tozzi, Flávia Alessandra, as DJanes Anne Louise, Bell Roncoli, Ana Flor, os também DJs Felipe Lira, Diogo Baez, Bruno Pacheco, Andre Garça, as cantoras Amannda e Nikki, a apresentadora Márcia Goldschmidt, dentre muito outros.

Adriano Yedo e Edu Vicentini nos concedeu uma entrevista proporcionando um bate papo bastante enriquecedor. Confira abaixo.

Como surgiu a ideia de se fazer um projeto tão lindo como este?

Adriano Yedo: Eu estou fazendo posts de pequenas empresas que estão trabalhando na quarentena. A ideia era ajudar esses empresários a se manterem ativos e não dispensarem seus funcionários. Nisso, Maurício Canazaro me procurou falando que queria fazer algo em prol das comunidades e num bate papo paralelo, o Erick Andrade mencionou que higiene pessoal poderia ser o foco da campanha, já que essa é uma das formas mais efetivas na proteção contra o vírus. Nesse momento o Edu Vicentini sugeriu que montássemos kits de limpeza e higiene pessoal para entregarmos a essas famílias. Daí em diante criamos um grupo para formatar como então iríamos colocar todas essas idéias em prática. Criamos uma campanha para arrecadação através de uma vaquinha virtual e na segunda semana do projeto conseguimos montar e distribuir 200 kits e já entregamos até o momento da entrevista 800 kits.

Maurício Canazaro organizando os produtos que foram entregues recentemente – Foto divulgação.

Edu Vicentini: Sempre tivemos vidas muito corridas e nunca conseguimos tempo pra nos engajar efetivamente em projetos sociais. Durante a quarentena, notamos que mais do que nunca, nossa ajuda seria mais que bem vinda, seria necessária! Por sermos da área de eventos, ter muito contato com artistas, DJ’s, cantoras, decidimos pedir ajuda a esses amigos através de vídeos divulgando o projeto, pra assim também atingirmos um público maior, e, consequentemente, angariar mais doações. E assim começamos a dar forma ao projeto!

Este período de quarentena nos deu esta possibilidade de poder olhar mais para os outros. Como foi a receptividade na primeira entrega?

Adriano Yedo: A gente tem feito entregas todos os finais de semana. Já fizemos distribuição dos KITS na comunidade da rocinha, na comunidade do brejo dentro da Cidade de Deus, no Vidigal, em campo grande, nova Iguaçu, Niterói e final de semana que vem faremos entregas na comunidade da mangueira. Cada vez que vamos fazer as entregas, voltamos muito felizes, gratos e emocionados. As vezes entramos com medo nas comunidades, passamos por diversas barreiras de milícias armadas até os dentes, mas quando a gente termina, saímos de lá de alma lavada, os moradores nos recebem muito bem, não dão bênçãos e pedem pra que a gente não se esqueça mais deles e que voltemos breve! É muito emocionante esse contato direto com eles.

Vídeo: Famílias que receberam o carinho do projeto @rioaqueleabraco

Vocês estão fazendo a parte de comprar os produtos, com o valor arrecadado, e montar os kits. Agora, além da doação através da vaquinha criada, como as pessoas podem ajudar ainda mais neste projeto?

Adriano Yedo: Quando desenvolvemos o projeto, tínhamos plano de aceitar doações de materiais também, mas percebemos que a logística seria muito complexa pra retirar esses materiais nos mais diversos cantos da cidade e não conseguiríamos ter um padrão no nosso kit. A partir disso, decidimos aceitar apenas doações em dinheiro, criamos um kit padrão e estamos conseguindo arrecadar durante cada semana o valor para aproximadamente 180 a 200 kits. Para doar é muito simples, basta clicar no link de doação e pagar a partir de R$10,00 no cartão de crédito ou boleto.

Edu Vicentini: É o que sempre falamos aos nossos amigos! Ajudar em um projeto social, não necessariamente significa doar dinheiro pra ele. Divulgando um projeto em suas redes sociais e grupos de Whats App, já ajuda demais a levar adiante nossas ideias! Se não estivéssemos em tempos de quarentena, ajudas nas compras, montagem de kits e entrega nas comunidades seriam extremamente bem vindas também.

Vocês têm uma certa influência por serem produtores de eventos que passam em várias cidades do Brasil e do mundo. Vocês têm sentido que essa influência tem ajudado muito no projeto de vocês? Os DJs, donos de festas, público e influenciadores da cena LGBTQIA+, estão comprando essa ideia da forma que vocês esperavam?

Edu Vicentini: Sim, por sermos produtores, Eu ser DJ também, por sermos da noite num geral, já que o Maurício Canazarro e o Erick Andrade também tão em todas, acho que temos uma boa visibilidade e notoriedade tanto no Rio, como em outros estados do Brasil e até fora do país já que até inclusive recebemos doações de conhecidos do exterior! Dessa forma, claro que isso ajuda tanto na divulgação como, consequentemente, nas contribuições, de fato! Tivemos uma ajuda muito grande por parte dos DJ’s que participaram de alguns vídeos da campanha inclusive, mas realmente esperávamos um engajamento maior por parte de amigos e influencers. Notamos que as pessoas passam muitas horas do dia nas redes sociais, muitas vezes em discussões políticas, militâncias, criticando, apontando um ao outro, cobrando do governo, mas que quando têm a oportunidade de ajudar a construir um mundo melhor por mérito próprio, elas simplesmente deixam passar a chance…

Primeiramente gostaríamos muito de agradecer vocês por termos este bate-papo e parabenizá-los pela linda inciativa. Muito obrigado e parabéns!

Edu Vicentini: Queria agradecer muito a você Diego e a DJane Mag pelo espaço e abertura tão carinhosamente oferecidos pra falar sobre o projeto social! Esperamos que tudo isso passe o quanto antes e que fiquem bons aprendizados a todos nós brasileiros!
O link para doação é: sharity.com.br/rio-aquele-abraco-contra-a-covid-19?u=0cdd6fe27cf011eabd100a536da30ee4&n=3
E para saber mais sobre o projeto basta acompanhar nossa página no Instagram @rioaqueleabraco

Diego Aganetti, mineiro, vivendo em São Paulo, que chegou nos seus 30 anos de idade e teve diversas experiências nos grandes eventos da cena LGBTQIA+. Atualmente voltou para o mercado de produção de eventos, com sua nova marca SIGN.