Thay Rodrigues: conheça a história de superação da DJ que representa o Brasil nos EUA

Thay Rodrigues tem mostrado cada vez mais o seu talento na cena eletrônica. Em entrevista descontraída e exclusiva à DJane Mag Brasil, a DJ e produtora musical, que vai lançar feat com o DJ Jesus Luz e com o Netto DJ, se abriu sobre a vida pessoal, novos projetos, início da carreira, cenário artístico em tempos de pandemia e provou o porquê de ser uma artista em ascensão.

Nascida em Paulista, no estado de Pernambuco, com o nome de batismo de Thaylane Rodrigues, a jovem de 26 anos mora, hoje, em Houston, no Texas, nos Estados Unidos. É residente da Essential Clubbers Radio, rádio online fundada no Reino Unido. Graduada em Turismo, ela nunca pensou em desistir da carreira musical.

A primeira oportunidade da DJ foi na casa noturna Bauhaus Houston, graças ao Koma Salazar, fundador do Concepto EDM, grande agência de eventos dos Estados Unidos. Desde então, não parou mais. O sucesso foi tanto que a Thay Rodrigues se tornou, posteriormente, DJ residente do club. Lá também abriu o show de diversos DJs renomados, tanto nacionais quanto internacionais, como por exemplo: KVSH (Brasil), NETTO (Brasil), Jesus Luz (Brasil), Raul Facio (Texas), Stacy Kid (Chicago), Layton Giordani (Nova York), Roger Sanchez (Miami), Kristen Knight (Miami), Stacey Pullen (Detroit) e Koma Salazar (Texas). Além disso, já tocou em pistas de diferentes cidades e estados norte-americanos, como Austin, Dallas, Houston, Detroit, Orlando, entre outros.

“Na adolescência, passei por muitos traumas, desde um relacionamento abusivo com tentativa de assassinato, a torturas psicológicas.”

Thay Rodrigues

Para tornar o sonho em realidade, Thay Rodrigues precisou abrir mão de muitas coisas. Durante mais de três anos, ela precisou trabalhar em outra área e focar na conclusão da graduação em Turismo. Na época, não conseguia seguir com os planos de DJ, entretanto o sonho sempre permaneceu vivo. Uma das soluções que encontrou foi estudar produção musical, uma vez que ainda não possuia nenhum equipamento de DJ, mas tinha um laptop. E assim começou a dar vida a novas produções.

A artista tem se tornado cada vez mais um nome conhecido e inspirador do cenário da música eletrônica. Quem acompanha sabe que a DJane tem seguido a carreira com maestria. Além de ter muita história pra contar, Thay Rodrigues revelou uma novidade “bafônica”! Fique por dentro!

Quando começou a sua paixão pela música eletrônica e como foi o início da sua carreira?
O sonho iniciou com apenas 14 anos quando fui para a minha primeira “Tenda Eletrônica” com minha irmã. “Vi” a música eletrônica invadir as pessoas e a felicidade delas ao ouvir aquele som tão incrível e diferente de tudo.
Dalí em diante, não consegui parar de pensar em como eu poderia fazer parte daquele mundo. Até que descobri o IMEPE (Instituto de Música Eletrônica de Pernambuco), por meio do meu amigo Willian Anderson. Então, me inscrevi para aulas de DJ iniciante com o Renato Aguiar no ano de 2014. Por vir de família humilde, não tive como continuar pagando pelo curso e não consegui dar continuidade nos outros módulos. Por sorte, conheci o DJ Luiz B. que se dedicou incansavelmente a me ensinar o que é preciso para ser uma boa DJ e desde então minha carreira começou a acontecer.

Thay Rodrigues – Foto divulgação.

Juntamente com o DJ Luiz B, após desenvolver as técnicas necessárias, iniciamos uma parceria e iniciamos a Undermusic Productions, a fim de prestar serviços de eventos. Surgiu então a Tech’n’Deep Club, um evento de música underground – Tech House, Deep House e mais – sendo então o primeiro evento que toquei em diversas edições.

“A primeira vez tocando para uma multidão, depois de meses de isolamento social, foi incrível! A felicidade é imensa, as pessoas ansiavam por esse momento.”

Thay Rodrigues

Foram muitos desafios para chegar até onde chegou?
Vim de uma família muito humilde e já passamos por muitas dificuldades. Diante disso, aprendi a ser independente desde muito cedo. Com 12 anos, comecei a trabalhar, pois desde muito nova tinha o sonho de morar nos Estados Unidos e, entendia que se não me esforçasse, não conseguiria mudar a realidade da minha família. Trabalhando desde muito cedo, consegui juntar dinheiro para pagar pelos meus estudos, uma vez que precisava trabalhar e não conseguiria estudar numa universidade federal, que era muito longe da minha casa e do meu trabalho.
Na adolescência, passei por muitos traumas, desde um relacionamento abusivo com tentativa de assassinato, a torturas psicológicas. Eu era ameaçada se mencionasse o meu sonho de sair do país. Cicatrizes no meu corpo ainda retratam o que passei, mas isso tudo me fez uma mulher mais forte e determinada. Sabia que nada daquilo iria me parar e que, um dia, poderia compartilhar com o mundo a minha história e vitória.
Em 2019, já graduada, graças ao grande apoio do meu ex-namorado e melhor amigo Kassiano Fidelis, que foi uma pessoa muito importante durante minha trajetória, finalmente iniciei o meu processo de mudança para os Estados Unidos. Cheguei no estado do Texas, onde moro há quase três anos, sozinha. Fui para o País como Au Pair, intercâmbio cultural no qual você trabalha para uma família americana e pode escolher o que estudar. Além de cursar Marketing e Empreendedorismo, pela Harvard Business, e Administração de Projetos, pela Houston Community College, consegui enfim focar na minha carreira musical e iniciar minha trajetória musical mais uma vez.

Conta pra gente o que prepara para os fãs para os próximos meses.
Tem muita coisa boa vindo por aí! Estou com quatro músicas novas para lançar, sendo três com o selo Immed Solutions. Podem esperar parcerias com o DJ Jesus Luz; com a cantora Denise Buckle diretamente de Malta, na Europa; Netto DJ e Jessica Dellazeri. Além disso, dois desses lançamentos terão videoclipes, que acredito que vão dar o que falar (risos). Um deles será em parceria com o Jesus Luz e o outro com o Netto DJ.

De que maneira o seu som amadureceu nesses anos?
Identifiquei que com os anos de EDM (Electronic Dance Music) passei a gostar e produzir melodic house e tech house music. Costumava curtir mais sons pesados com altos BPM, mas, atualmente, gosto mais de um tipo de som mais tranquilo, como o melodic house. Ainda assim não escapo de um bom tech/techno detroit style.

Quais artistas te inspiram?
Ao longo da minha carreira, muitos artistas serviram de inspiração e muitos ainda servirão. Posso citar como inspirações iniciais o DJ Avicii por sua trajetória e história como um todo, bem como o produtor musical, empresário e DJ KVSH, que serviu de inspiração quando comecei a produzir minhas próprias músicas e que tive o prazer de conhecer pessoalmente.

Como a pandemia do novo coronavírus tem afetado sua vida pessoal e sua carreira?
Com a chegada da pandemia, a minha vida profissional foi mais afetada do que a pessoal. Apesar dos percalços, foi possível realizar lives. Sem dúvida alguma a internet foi uma forte aliada durante esse momento. E, levando para o lado pessoal, acredito que a pandemia foi importante para nos mostrar que a vida é imprevisível e que precisamos valorizar tudo o que realmente nos importa.

Como você já tem feito shows no exterior, precisamos perguntar: qual a emoção de voltar a tocar?
Infelizmente, a situação no Brasil ainda está complicada, mas aqui nos Estados Unidos tudo já está sendo reaberto e os shows estão sendo retomados. Todos já podem ser vacinados no País, então a primeira coisa que fiz antes de iniciar os shows novamente foi correr para me vacinar. A primeira vez tocando para uma multidão, depois de meses de isolamento social, foi incrível! A felicidade é imensa, as pessoas ansiavam por esse momento.

De onde vem a sua inspiração para criar novas apresentações e produções?
O mundo em que vivemos é tão turbulento que o único momento que sinto que posso ser eu mesma e esquecer todos os problemas é quando estou no palco. Se posso de alguma forma trazer um pouco de alegria para as pessoas que, no dia a dia, sofrem com os mais diversos tipos de problemas, essa é a minha inspiração!

Thay Rodrigues – Foto divulgação.

Em sua opinião, o que acha indispensável para se tornar uma boa DJane?
Sem falar muito em técnica e foco que são indispensáveis, toda DJane precisa ter muita determinação. Não é de hoje que sabemos que não é fácil uma mulher estar no meio da música eletrônica. A gente sofre os mais diversos tipos de preconceito e também há muito mais probabilidade de tentativas de abuso. É preciso saber ser firme, forte e lutar como uma mulher. Também acredito que é preciso sempre lembrar de onde você veio e para onde vai, reconhecer o amor e carinho dos fãs, que são nossa fortaleza, e entender que cada um tem um papel essencial. Ser DJANE ou DJ não torna você melhor nem pior que ninguém. Humildade e força acima de tudo.

Qual a importância de DJanes apoiarem movimentos identitários e sociais, como as causas da comunidade LGBTQIA+?
A principal importância da defesa de causas LGBTQIA+ é simplesmente o fato de não existir uma opção sexual, e por isso mesmo não deveria existir acepção de nenhum grupo. Todos nós somos dignos dos mesmos direitos e de amar a música como algo em comum diante de um mundo tão superficial. É importante mostrar às pessoas que o amor pela música une a todos e a tudo!

Thay Rodrigues – Foto divulgação.

Bom, para finalizar! Depois de tantos anos se dedicando à cena eletrônica, o que diria para as pessoas que têm acompanhado sua trajetória desde o início, entre fãs, DJs, ouvintes e amigos de um modo geral?
Com lágrimas nos olhos, diria que sou eternamente grata a todas as pessoas que me apoiaram e estiveram comigo acompanhando toda a minha trajetória. Conquistar esse sonho não foi fácil. Desde os 14 anos, batalho para chegar até aqui e eu não seria a mesma se não houvessem essas pessoas do meu lado. O que eu puder fazer para tornar a experiência dos meus fãs ainda mais incrível por meio da música, certamente, irei fazer.

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