Conheça Jully Beats, mãe, esposa e DJ há mais de dez anos

Conheça a trajetória da DJane que representa muito bem o Tribal House brasileiro

Com 11 anos de carreira e 10 anos à frente de um dos maiores clubs da cena LGBTQIA+ do litoral paulista, Jully Beats fala de toda sua trajetória desde quando ainda era criança, onde sempre ia até a banca de jornal para comprar a revista de uma das principais rádios do país, só porque vinha com um CD com os melhores hits das baladas naquela época.

“tive a ideia de usar o nome dele como uma espécie de nome de batismo por eu ter me tornado DJ, foi aí que nasceu a DJ Jully Beats.” 

Jully Beats

Em entrevista exclusiva, Jully fala sobre sua tour internacional, infância, amor pela música, casamento e maternidade.

Confira agora esse bate-papo maravilhoso com a DJ Jully Beats:

Você faz parte de um seleto grupo de DJs mulheres da cena LGBTQIA+ que já completaram mais de dez anos de carreira. Como foi que você decidiu seguir a carreira de DJ Profissional?

Desde criança sempre amei música eletrônica, me lembro quando eu tinha uns 10-12 anos, eu sempre corria na banca para comprar a revista da Jovem Pan que tinha o CD das 7 Melhores, eu ficava atenta em todas as rádios que tocava esse tipo de som esperando tocar as músicas que eu mais gostava para gravar em fita K7 na época. Meu sonho nessa idade já era conhecer uma balada, como eu ainda era menor eu acompanhava um programa na TV de uma balada de SP chamada Fabbrica 5 para ouvir as músicas e ficar sonhando em um dia poder estar ali, até que esse dia chegou. Foi amor a primeira batida (risos) ainda não havia despertado a vontade de ser DJ mas eu amava tudo aquilo ali! Com o passar dos anos e frenquentando todos os finais de semana casas noturnas comecei trabalhando na The Club como caixa em 2006, dessa forma pude acompanhar de perto o trabalho dos DJs. Foi aí que me despertou a curiosidade e a paixão pela profissão. No meu círculo de amigos haviam DJs e um deles (Felipe Rufato) se propôs a me ensinar a tocar, assim nasceu a DJ Jully Beats.

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Você é casada com o também DJ Will Beats. Conte pra gente como é a vida de dois DJs casados que tocam a mesma vertente do som eletrônico.

Will ja é DJ há 25 anos, ele começou a tocar bem novinho. Eu me lembro quando eu fui a primeira vez em uma balada “GLS”, era ele quem estava tocando, mas nós nos conhecemos mesmo na The Club, ele era o DJ residente e eu comecei a trabalhar lá, nos aproximamos e nos tornamos amigos. Eu sempre admirei muito ele como DJ, era como se fosse uma inspiração pra mim, eu me identificava muito com o som que ele tocava e também sempre admirei a técnica dele tocando.

Na época que eu aprendi a tocar eu precisava de um nome artístico, pois não queria usar meu sobrenome, então foi aí que tive a ideia de usar o nome dele como uma espécie de nome de batismo por eu ter me tornado DJ, foi assim que nasceu a DJ Jully Beats. Quem fala que os opostos se atraem no meu caso nao é verdade rs, em maio desse ano fizemos dez anos de casados, acho que toda essa nossa história já estava escrita, nossos caminhos se cruzaram porque era pra ser mesmo, nada é por acaso.

“alguma pessoas me perguntam como consigo conciliar ser mãe e trabalhar na noite, tem que amar muito a profissão, e claro ter ajuda de alguém como eu tenho.” 

Jully Beats

Além de DJ você é mãe. Como você se desdobra para ser mãe e DJ nos dias de hoje?

Nós temos uma filha de 09 anos, ela se chama Luma, um ano depois que iniciei minha carreira eu engravidei, toquei até os 08 meses com o maior barrigão e só não toquei ate os 09 porque o dono da The Club achou q era melhor eu ficar sossegada em casa, mas quem disse que eu consegui? No dia em que a Luma estava prevista pra nascer eu estava lá na The Club haha, ela nasceu uma semana depois, eu me lembro que fiquei 1 mês de licença mas pedi para retornar pois eu queria muito trabalhar, como eu morava perto da The Club (10 min de carro) e minha mãe também, foi ela e minha avó que me ajudaram sempre a cuidar da Luma para que eu e o Will pudéssemos trabalhar (ajudam até hoje), eu deixava ela na casa da minha mãe, e ia pra The Club, tocava, e logo voltava para amamentar. No começo foi um pouco difícil pois um bebê da bastante trabalho, se não fosse minha mãe e minha avó com certeza eu não teria conseguido, mas logo tudo foi virando parte da rotina, e é assim até hoje, minha filha fica na casa da minha mãe todos os finais de semana. Algumas pessoas me perguntam como consigo conciliar ser mãe e trabalhar na noite, tem que amar muito a profissão, e claro ter ajuda de alguém como eu tenho.

Há dez anos você é residente do maior club do litoral paulista, a The Club. Como é sua relação com essa residência tão duradoura?

Em Outubro de 2009 recebi o convite para minha estreia na The Club, eu só havia me apresentado 2 vezes antes disso, (a primeira vez foi em uma festa pequena e a segunda foi na Parada Gay de São Vicente) eu fiquei feliz demais com o convite do Silvio e confesso que também fiquei muito surpresa, apesar de já trabalhar na casa como caixa há 3 anos, ali so tocava DJs convidados renomados e os residentes, então me preparei muito para esse dia e graças a Deus deu tudo certo! Foi uma noite incrível e inesquecível! O feedback foi tão maravilhoso que logo no mês seguinte eu já recebi o convite para assumir a residência. Foi uma grande oportunidade que eu tive e agarrei! Para um DJ que está começando receber um convite para uma residência é de extrema importância, na residência você aprende muito, aprendi a me aperfeiçoar em técnica, fazer um warm up, preparar a pista para um DJ convidado e também manter a vibe depois de pegar a pista de um DJ bem experiente, essa residência foi um presente na minha vida! Acho que o segredo de manter esse posto há 10 anos é você amar o que você faz e amar a casa onde você toca.

Nos últimos dez anos você já se apresentou em vários selos pelo Brasil a fora. Quando foi que você percebeu que você estava vivendo o auge de sua carreira?

Eu sempre dei um passo de cada vez, mas eu percebi que eu tinha dado um passo maior foi quando eu toquei pela primeira vez fora do País. Sempre tive meus objetivos desde o comecinho e graças a Deus com muito trabalho e dedicação nesses 10 anos eu já toquei em lugares que nem imaginava, a cada ano que passa eu vou conquistando novos caminhos.

Com certeza o ano de 2019 foi maravilhoso para minha carreira, foi o ano em que eu mais tive apresentações, estava viajando praticamente todos os finais de semana, foi maravilhoso, so posso agradecer!

Sua primeira tour internacional foi em 2016, no México. Conta pra gente como foi receber a notícia de que iria se apresentar fora do país pela primeira vez e como foi essa tour!?

Eu nunca imaginei que um dia eu iria poder levar meu som para outro país! Eu fiquei muito feliz quando recebi o convite, nem acreditava que aquilo ali era real, também fiquei nervosa rsrsrs, pois eu nunca tinha saído do Brasil, não falava espanhol na época, fiquei ansiosa pois como era a primeira vez que iria tocar fora fiquei com medo da reação de pegar uma pista em outro país, não sabia se as pessoas iriam gostar do meu som, etc… me apresentei em 2 Clubs e apesar da vibe dos mexicanos ser um pouco diferente dos brasileiros o feedback foi maravilhoso, o público gostou bastante, voltei realizada e muito feliz.

Nos últimos anos o Tribal brasileiro tem sido referência mundial para os DJs da nossa cena, mas antes disso a relação do nosso tribal com o público e com os DJs do Chile já era grande. Você mesma já tocou algumas vezes no Chile, fale um pouco sobre sua relação com o público do Chile e como você enxerga essa nova realidade do Tribal brasileiro

A primeira vez que eu estive no Chile me senti em casa, o público chileno é maravilhoso e eu fui tão bem tratada nos 3 dias em que fiquei lá que eu não queria mais vir embora, eu me apaixonei por eles, a minha primeira apresentação no Chile foi no maior club Chileno – Club Divino em Viña Del Mar, com certeza é uma das apresentações que vão ficar guardadas na minha memória pra sempre. O Tribal brasileiro é muito forte no Chile, os DJs chilenos tocam muita coisa de produtores brasileiros, então o set foi aquele fervo do início ao fim, a vibe dos chilenos e muito parecida com a nossa, eles pulam, batem palma, batem leque, bate no palco dançam o tempo todo! Sem palavras, eles são demais! O Chile é lindo, é um lugar que sempre vou amar me apresentar, todas as vezes que eu fui sempre foram maravilhosas, fiz muitos amigos lá e tenho saudades de todos, já não vejo a hora de voltar.

A sua última tour internacional foi um pouco antes da quarentena, em Paris (França). Conta pra gente sobre essa nova conquista de sua carreira como DJ Profissional!

Eu recebi o convite do Cris ano passado para me apresentar no Gibus em Paris. O Cris me viu tocando em uma festa aqui em Belo Horizonte, ele entrou em contato comigo disse que tinha gostado muito do meu som e que queria me levar para Paris. Fechamos a data, e foi em dezembro que pude realizar mais esse sonho. Tive a oportunidade de conhecer Paris (acho que é um dos lugares mais bonitos que eu já estive) é encantador, conheci a Disney, e levei meu som para mais um lugar incrível que é a Gibus. O público foi bem receptivo, tinha bastante brasileiro que já me conhecia, então me senti bem a vontade, o Cris foi maravilhoso em todos os sentidos, me deixou bem a vontade também referente ao meu set, e a noite foi perfeita, eu amei muito e espero voltar um dia.

Logo depois da sua tour na França veio a quarentena. Como foi pra você receber a notícia de que tudo iria parar?

Minha última festa foi dia 15 de março e no dia 16 entramos em quarentena. No início achei que seria algo que iria durar algumas semanas, e com o passar dos dias eu vi que essas semanas poderiam virar meses, e aqui estamos, já vamos entrar no 6° mês nesse isolamento. Acho que a pior sensação disso tudo é não ter uma resposta de quando isso vai acabar, está sendo bem difícil passar por tudo isso, tanto no lado psicológico quanto no lado financeiro, acho que ninguém nunca imaginou que passaria por uma situação como essa. Acredito que nada seja por acaso e eu tenho fé que isso tudo vai passar e logo retornaremos a nossa vida normal! Eu espero que as pessoas melhorem muito depois disso tudo, principalmente dando valor as coisas simples da vida que foi o que mais perdemos nesse tempo em isolamento.

Diante desta fase que estamos passando, sem festas, o que você tem feito para se manter ativa perante seu público?

Eu já tinha o costume de fazer set e colocar no SoundCloud, agora na pandemia encontramos um meio de ficar mais próximos através das lives, então eu resolvi fazer os meus sets nesse formato de live, assim consigo me conectar um pouco mais com meu público. Fiz uma live no final de março e uma outra em julho (em comemoração do meu aniversário), nessa quarentena também resolvi arriscar algo que ja tinha vontade, fiz meu primeiro mashup e estreei nessa live set do meu aniversário. 😉

Eu quero agradecer muito a todos que me acompanham, que gostam do meu trabalho, eu amo muito o que eu faço e só posso agradecer a todos vocês pelo carinho de sempre! A cada ano que passa minha gratidão só aumenta! Obrigada a todos os contratantes por acreditarem no meu trabalho, e muito obrigada a vocês da DJane Mag pelo convite para essa entrevista e abrir esse espaço para eu poder contar um pouquinho da minha história

Muito Obrigada s2

Que trajetória né!? Fiquem com o último digital show de Jully Beats feito durante essa quarentena para comemorar o seu aniversário:

Diego Aganetti, mineiro, vivendo em São Paulo, que chegou nos seus 30 anos de idade e teve diversas experiências nos grandes eventos da cena LGBTQIA+. Atualmente voltou para o mercado de produção de eventos, com sua nova marca SIGN.